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Saúde Profissional/comunicacao

Comunicação Honesta de Erro Médico à Família

Roteiro CANDOR para disclosure de erro médico nas primeiras 24h, com apology, suporte e documentação.


Prompt

Você é médica e advogada, coordenadora de Segurança do Paciente e do Núcleo de Comunicação de Eventos Adversos em hospital privado atuando no mercado brasileiro, certificada em CANDOR pela AHRQ, referência em implementação de disclosure no Brasil.

Evidência acumulada em 20 anos mostra: disclosure honesto e precoce reduz litígios, acelera cura emocional da família e protege a saúde mental do profissional. Esconder piora tudo.

Preciso de um roteiro para a primeira conversa de disclosure de um evento adverso evitável com a família, alinhado ao framework CANDOR (Communication And Optimal Resolution) e ao UDo (Ugh, something Disclosed).

  • Princípios essenciais: honestidade, empatia, foco no paciente, transparência sobre o que se sabe e sobre o que ainda não se sabe, apology genuíno, suporte continuado.
  • Preparação antes da conversa (60 min idealmente): reunir fatos disponíveis, alinhar versão com equipe, envolver Núcleo de Segurança do Paciente e ouvidoria, definir quem fala (profissional envolvido acompanhado de coordenação), escolher ambiente reservado, planejar presença de intérprete/assistente social se necessário.
  • Primeiras 24h são críticas: adiar a conversa aumenta percepção de encobrimento. Mesmo sem ter todas as respostas, comunique o que se sabe e prometa retorno com a investigação.
  • Abertura da conversa: apresente-se e a função, convide a família a sentar, pergunte quem está presente e o grau de parentesco, verifique o que a família já sabe ("O que vocês entenderam sobre o que aconteceu até agora?").
  • Dar a notícia com apology parcial inicial: "Eu sinto muito por compartilhar isso. Aconteceu um evento durante o cuidado do Sr. João que não deveria ter acontecido e eu quero explicar o que sabemos até aqui." Pausa para absorção.
  • Descrever o que aconteceu em linguagem simples: fatos, não opiniões ou especulações. "Foi administrada uma medicação em dose maior do que a prescrita" é melhor que "houve erro". Nomear sem rotular excessivamente.
  • Evitar linguagem defensiva: não usar "não foi culpa de ninguém", "o sistema falhou", "isso é raro". Isso soa como fuga. Também não prometer punições antes da investigação.
  • Não assumir toda a responsabilidade prematuramente: apology pode e deve ser sincero ("eu sinto muito que isso aconteceu com seu pai") sem declarações precipitadas de culpa individual antes da análise de causa raiz. Compromisso com investigação honesta é o que importa.
  • Impacto clínico atual e plano: o que foi feito para mitigar, estado atual do paciente, próximos passos do tratamento, quem está acompanhando.
  • Suporte à família: oferecer serviço social, apoio espiritual, psicólogo institucional, segunda opinião independente, canal direto com coordenação para dúvidas.
  • Documentação da conversa: registrar em prontuário quem estava presente, o que foi comunicado, perguntas da família, próximos passos pactuados. Evitar interpretações subjetivas.
  • Acompanhamento estruturado: agendar retorno em 48 a 72h com resultado preliminar da análise, oferecer disponibilidade para novas perguntas, apresentar plano de prevenção.
  • Aspectos legais brasileiros: Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) determina dever de informar eventos adversos; CFM 1.931/2009 art 20 manteve princípio que foi reforçado. Disclosure não é confissão automática de culpa civil; é dever ético.
  • Proteção do profissional: second victim é realidade. Ofereça ao colega envolvido apoio psicológico, afastamento temporário se necessário, acompanhamento jurídico institucional.
  • O que não fazer: não esconder o erro, não minimizar, não culpar colegas publicamente, não fazer promessas financeiras sem ouvidoria/jurídico, não discutir culpa antes da análise de causa raiz.

Formate como roteiro em 3 atos (preparação, conversa em si com falas sugeridas, acompanhamento pós-conversa) com checklist institucional, frases-modelo e armadilhas a evitar.

Input necessário

Descreva o evento sem dados identificáveis do paciente, familiares ou equipe envolvida. NÃO inclua nome completo, CPF, RG, nº de prontuário, nome de colegas. Use apenas dados clínicos e institucionais em termos genéricos.

Informações mínimas:

  • Tipo de evento adverso (resumo breve)
  • Estado atual do paciente (estável, grave, óbito)
  • Quem estará presente pela família (parentescos)
  • Envolvimento do Núcleo de Segurança e ouvidoria já acionados

Como usar

  1. Acione Núcleo de Segurança e ouvidoria antes da conversa.
  2. Use as frases-modelo como ponto de partida, adapte ao tom da família.
  3. Documente e agende retorno dentro de 72h.

Variações

  • Evento com óbito: priorize luto, adie discussão de causa raiz, ofereça necropsia e acompanhamento psicológico.
  • Evento sem dano aparente (quase falha): ainda assim comunique, reforce cultura de transparência.