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Saúde Profissional/comunicacao

Conversa Difícil com Colega sobre Conflito na Equipe

Protocolo para abordar colega médico, residente ou da enfermagem sobre conduta problemática, com preparo, roteiro, saída respeitosa e escalação se necessário.


Prompt

Assuma o papel de mediador organizacional com experiência em hospital, formação em Comunicação Não Violenta (Rosenberg), Conversas Difíceis (Stone, Patton, Heen), CRM (Crew Resource Management aplicado a saúde) e conhecimento de canais formais (ouvidoria, comissão de ética médica, RH, Conselho Regional, Código de Ética Médica CFM 2.217/2018).

Preciso abordar um colega ou colega de outra profissão da equipe sobre conduta que está me incomodando ou prejudicando o paciente: atraso crônico, comunicação agressiva, crítica em público, omissão de informação, limite desrespeitado, assédio, suspeita de uso de substância.

Preciso que o roteiro contemple:

  • Antes de decidir conversar:
    • Verifique fatos (o que eu vi, o que me contaram, o que é padrão).
    • Confira sua porção no problema (não no assédio, que é do assediador; mas em conflitos interpessoais muitas vezes há 2 lados).
    • Decida o objetivo (mudança de comportamento? proteção do paciente? resolução para você seguir trabalhando?).
    • Escolha o canal certo: 1-a-1 informal se conduta leve e relação preservável; canal formal se conduta grave, recorrente ou envolve paciente.
  • Quando ir direto ao canal formal (sem tentar 1-a-1 primeiro):
    • Assédio sexual ou moral.
    • Violência verbal ou física.
    • Uso de substância no serviço.
    • Erro grave encoberto.
    • Retaliação esperada se abordar diretamente.
    • Relação de poder assimétrica (residente não deve abordar staff sozinho em pauta grave).
  • Preparação da conversa 1-a-1:
    • Local privado, tempo suficiente, sem pressa.
    • Momento neutro (não logo depois do incidente, mas dentro de 7 dias).
    • 3 fatos específicos com data e contexto.
    • Frase de abertura curta.
    • Antecipar reações (defensiva, negação, contra-ataque).
    • Saída clara (o que você precisa ver mudar).
  • Estrutura da conversa (modelo CNV adaptado):
    1. Convite e enquadre: "Quero falar sobre algo que vi e me importa. Tem 15 minutos agora ou prefere marcar?"
    2. Fato observado: "Na segunda, no round, quando o paciente do leito 12 foi apresentado, você interrompeu a R1 e disse [frase]. A R1 ficou em silêncio o resto do round."
    3. Impacto: "Senti que o round perdeu segurança psicológica e a R1 me procurou depois."
    4. Pedido: "Queria entender sua perspectiva. E pedir que situações de dúvida com residente sejam conversadas fora do round."
    5. Escuta: silêncio e escuta ativa.
    6. Combinado: saída concreta, com prazo.
  • Frases úteis:
    • "Quero trazer uma observação, não acusação."
    • "Pode ser que eu esteja lendo errado. Me ajude a entender."
    • "Quando aconteceu X, o efeito foi Y. Você tinha percebido?"
    • "Isso é importante para eu continuar trabalhando bem com você."
  • O que evitar:
    • Generalização ("você sempre", "você nunca").
    • Público.
    • Diagnóstico psicológico ("você é narcisista").
    • Comparar com terceiros.
    • Ameaças veladas.
    • Pedir desculpa pela própria posição legítima.
  • Se a conversa dá errado:
    • Pausa: "Acho que não estamos conseguindo agora. Vamos retomar em 48 horas."
    • Registro escrito do que foi dito (para você).
    • Escalação para chefia imediata se não houver mudança ou se a reação foi agressiva.
  • Canais formais:
    • Chefia imediata do setor.
    • RH.
    • Ouvidoria interna.
    • Comissão de Ética Médica (se for médico e conduta grave).
    • Conselho Regional (CRM, COREN) em última instância documentada.
    • Canal de compliance para violação grave.
    • Polícia se crime (violência física, importunação sexual).
  • Proteção de quem denuncia:
    • Documentação: data, hora, local, envolvidos, testemunhas, comunicação por escrito sempre que possível.
    • Não apagar mensagens de WhatsApp.
    • Registro em conselho quando for por escrito.
    • Apoio jurídico do sindicato ou advogado.
  • Depois da conversa:
    • Observe em 30 dias se houve mudança.
    • Agradeça se houver melhora.
    • Retome formalmente se piorar.
    • Cuide de si: conversa difícil cansa; debriefing com colega ou terapeuta.

Formate como fluxograma de decisão (informal ou formal), script completo para 1-a-1 e modelo de registro para escalação.

Input necessário

Antes de executar a tarefa, conduza uma breve entrevista com o usuário. Faça até 8 perguntas por rodada (pode ser menos se suficiente), aguarde respostas, e só então gere o roteiro. Se precisar de mais informações, faça nova rodada com no máximo 8 perguntas.

NÃO inclua nome completo do colega, CPF, CRM, ou dados identificáveis. Descreva a situação em termos genéricos.

Informações mínimas a coletar:

  • Relação com o colega (par, subordinado, superior, sócio)
  • Conduta observada (fato concreto, não rótulo)
  • Se já houve tentativa anterior de conversa
  • Gravidade percebida (leve, moderada, grave)
  • Se envolve risco ao paciente ou violação ética

Como usar

Preencha o roteiro no escrito antes de qualquer fala. Se a gravidade for alta, pule a etapa 1-a-1 e vá direto ao canal formal com advogado ou sindicato orientando.

Variações

  • Versão para abordar preceptor agressivo (assimetria de poder).
  • Versão para abordar enfermeiro ou técnico com conduta prejudicial.
  • Versão para sócio de consultório com divergência crônica.