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Saúde Profissional/interpretacao exames

Interpretação Clínica do Hemograma

Leitura por série com achados por padrão, contexto clínico e decisão de esfregaço ou mielograma


Prompt

Atue como hematologista sênior com atuação hospitalar e ambulatorial, referência em investigação de citopenias e familiaridade com diretrizes SBHH.

Hemograma é o exame mais pedido e muitas vezes o menos lido. Preciso de uma interpretação que cruze os achados laboratoriais com o contexto clínico e gere conduta, não apenas descrição.

Preciso de uma leitura completa do hemograma em três séries mais padrões integrados:

  • Série eritrocitária:
    • Hemoglobina: anemia se Hb <12 na mulher adulta, <13 no homem adulto, <11 na gestante.
    • VCM: microcitose <80 (ferropriva, talassemia, anemia de doença crônica tardia), normocitose 80 a 100 (sangramento agudo, DRC, mista, doença crônica), macrocitose >100 (deficiência B12/folato, hipotireoidismo, álcool, mielodisplasia, drogas como metotrexato e zidovudina).
    • HCM e CHCM: esferocitose com CHCM alta, hipocromia com HCM baixa.
    • RDW: anisocitose aumentada aponta deficiência mista ou ferropriva em evolução.
    • Reticulócitos: IRP = reticulócitos x Hb medida / Hb ideal / 2. IRP >2 sugere resposta medular (hemólise, sangramento), IRP <2 sugere medula hipoproliferativa.
  • Série leucocitária:
    • Leucometria normal 4.500 a 11.000.
    • Leucocitose com desvio à esquerda (bastões >500, metamielócitos): infecção bacteriana, sepse, corticoide, queimadura.
    • Leucopenia: viral (dengue, HIV agudo, CMV), medicamentosa (metamizol, clozapina, metotrexato, quimioterapia), autoimune, neutropenia cíclica, hiperesplenismo.
    • Eosinofilia: parasitose (estrongiloidíase, ancilostomose), atopia, DRESS, vasculites (EGPA), neoplasia.
    • Linfocitose atípica: mononucleose (EBV), CMV, dengue, sífilis secundária.
    • Monocitose: infecção crônica (TB, endocardite), autoimune, recuperação de neutropenia.
    • Basofilia: LMC, hipotireoidismo.
  • Série plaquetária:
    • Plaquetose >450.000: reativa (infecção, ferropenia, pós-esplenectomia, pós-cirurgia, neoplasia) ou primária (trombocitemia essencial, LMC, policitemia).
    • Plaquetopenia: leve 100 a 150 mil, moderada 50 a 100, grave <50, crítica <20. Causas: consumo (PTI, SHU, PTT, CIVD), destruição mecânica (próteses), produção reduzida (mielotoxicidade, MDS, leucemia), sequestro (hiperesplenismo, hipertensão porta), pseudotrombocitopenia por EDTA.
  • Padrões integrados:
    • Bicitopenia: anemia + plaquetopenia (sangramento, hiperesplenismo, MDS inicial).
    • Pancitopenia: anemia + leucopenia + plaquetopenia (aplasia, infiltração medular, MDS, megaloblástica grave, hiperesplenismo, sepse, HIV).
    • Esquizócitos + anemia + plaquetopenia + LDH alto + Coombs negativo: microangiopatia trombótica (PTT, SHU, HELLP, CIVD).
    • Blastos no sangue periférico: leucemia aguda, urgência hematológica.
    • Eritroblastos + leucoeritroblastose: infiltração medular, fibrose, sepse grave.
  • Achados no esfregaço que mudam conduta: dacriócitos (mielofibrose), células em alvo (talassemia, hepatopatia), corpos de Howell-Jolly (hipoesplenismo), rouleaux (mieloma), poiquilocitose (ferropenia), hipersegmentação de neutrófilo (megaloblástica).
  • Quando pedir esfregaço: toda citopenia inexplicada, suspeita de leucemia, microangiopatia, investigação de anemia macrocítica ou hemolítica.
  • Quando pedir mielograma/biópsia: pancitopenia sem causa periférica, blastos, suspeita de MDS, neoplasia hematológica, febre de origem indeterminada com citopenia.
  • Interpretação no contexto: DRC (anemia normo-normocítica por déficit de EPO), oncológico em QT (nadir entre D7 e D14), gestante (anemia dilucional, ferropenia), criança (microcitose fisiológica 6 a 24 meses).

Formate como laudo clínico: valor comentado série a série, padrão integrado, hipóteses diagnósticas em ordem de probabilidade, exames complementares sugeridos (ferritina, B12, folato, LDH, Coombs, eletroforese de Hb, esfregaço, mielograma) e conduta.

Input necessário

Cole o hemograma e o resumo clínico abaixo. ANTES de colar, REMOVA todas as informações identificáveis do paciente (nome, CPF, RG, nº de prontuário, nome do laboratório ou médico). Use apenas dados clínicos.

Estrutura mínima a colar:

  • Paciente (idade, sexo, comorbidades, medicações, sintomas atuais)
  • Hemograma (valores completos das 3 séries, reticulócitos se disponíveis)
  • Exame físico relevante (palidez, icterícia, linfadenomegalia, esplenomegalia, petéquias)

[COLE AQUI OS DADOS DEIDENTIFICADOS]

Como usar

  1. Sempre leia o hemograma junto com o motivo da solicitação.
  2. Peça reticulócitos antes de rotular anemia como arregenerativa.
  3. Solicite esfregaço em citopenia inexplicada, antes de outros exames caros.
  4. Em plaquetopenia súbita, descarte pseudotrombocitopenia com amostra em citrato.
  5. Repita hemograma em 24 a 72h quando achado borderline.

Variações

  • Paciente oncológico: nadir esperado, critérios de neutropenia febril.
  • Gestação: anemia dilucional, ferropenia, plaquetopenia gestacional vs HELLP.
  • Pediatria: valores por idade, anemia fisiológica do lactente.
  • Paciente em QT: cronologia do nadir e suporte transfusional.