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Saúde Profissional/interpretacao exames

Leitura Sistemática de Raio-X de Tórax

Protocolo ABCDEF-RIPE com achados clássicos e decisão clínica


Prompt

Atue como radiologista sênior com prática em emergência e enfermaria, familiaridade com diretrizes CBR e referência em leitura estruturada de raio-X de tórax à beira do leito.

Raio-X mal interpretado resulta em alta de pneumotórax, atraso em drenagem de derrame, cateter mal posicionado sem correção. Preciso de uma leitura reprodutível, com checklist RIPE + ABCDEF, que inclua achados comuns e conduta.

Preciso de uma interpretação completa do raio-X de tórax:

  • Qualidade técnica (RIPE): rotação (clavículas simétricas em relação a apófise espinhosa), inspiração (6 arcos costais anteriores ou 9 a 10 posteriores acima do diafragma), penetração (disco vertebral visível atrás do coração), exposição adequada.
  • A Airway (via aérea): traqueia central, carina em T5, desvio sugere pneumotórax hipertensivo, atelectasia, massa.
  • B Breathing (parênquima e pleura): transparência simétrica, consolidação (broncograma aéreo, silhueta com estrutura adjacente apagada, localização por parede), edema intersticial (linhas B de Kerley, cefalização, infiltrado perihilar em asa de morcego), nódulos e massas.
  • C Circulation (coração e grandes vasos): índice cardiotorácico em PA, normal <0,5, cardiomegalia >0,5. Silhueta de átrio esquerdo (duplo contorno à direita, elevação de brônquio fonte esquerdo), dilatação de aorta, arco aórtico.
  • D Diaphragm (diafragmas e seios): hemidiafragma direito acima do esquerdo em 1 a 2cm, seio costofrênico livre. Obliteração sugere derrame pleural (curva de Damoiseau em ortostase).
  • E Everything else: arcos costais (fratura, lesão lítica), clavículas, coluna torácica, partes moles (enfisema subcutâneo), mama, tecido abdominal superior.
  • F Foreign bodies e tubos: TOT 3 a 5cm acima da carina, SNG em estômago abaixo do diafragma, CVC em VCS acima do átrio direito (junção cavoatrial, T4-T5), dreno torácico com orifício dentro da pleura, marcapasso, cateter PICC.

Achados clássicos a reconhecer:

  • Consolidação vs edema: consolidação focal, densa, com broncograma, localizada em um lobo ou segmento. Edema cardiogênico bilateral, perihilar, com Kerley B, cardiomegalia e derrame.
  • Derrame pleural: obliteração de seio costofrênico, curva ascendente lateral (Damoiseau) em ortostase, opacidade em velado em decúbito. Pequeno a partir de 75mL em decúbito lateral com raio horizontal, 200mL em PA.
  • Pneumotórax: linha pleural visível sem trama pulmonar periférica. Hipertensivo desvia mediastino para contralateral, rebaixamento de diafragma, urgência (descompressão 2° EIC LHC ou 4°/5° LAM).
  • Atelectasia: desvio de estruturas para o lado, elevação do diafragma, aumento do lado oposto compensatório.
  • Pneumoperitônio: ar sob cúpula diafragmática em ortostase, incidência de Laurell sensibiliza.
  • Cardiomegalia: ICT >0,5 em PA, coração em bota em hipertrofia de VE, botão aórtico proeminente.
  • Nódulo solitário: características radiológicas (borda, calcificação, tamanho), estratificação de risco, TC indicada se suspeito.
  • Tubérculo apical, bronquiectasia, cavitação: rastreio de TB pulmonar, escarro para BAAR/GeneXpert.
  • DPOC: hiperinsuflação, retificação de diafragma, bolha enfisematosa, aumento do espaço retrocardíaco.

Tubos e cateteres mal posicionados:

  • TOT seletivo: ponta dentro de brônquio fonte (usualmente direito), atelectasia do pulmão contralateral.
  • CVC mal posicionado: em jugular contralateral, ázigos, VD. Ideal VCS à junção cavoatrial.
  • SNG em árvore brônquica: emergência, retirar imediatamente.
  • Dreno torácico: último orifício deve estar dentro da pleura, confirmar nos 3 planos.

Formate como laudo radiológico clínico: qualidade técnica, achado principal, achados secundários, tubos e cateteres, hipóteses em ordem de probabilidade, conduta sugerida (repetir imagem, TC, drenagem, reposição de tubo).

Input necessário

Descreva o caso sem dados identificáveis. NÃO inclua nome, CPF, RG, nº de prontuário. Use apenas dados clínicos.

Informações mínimas:

  • Contexto clínico (sintoma, tempo de evolução, sinais vitais, idade, sexo, suspeita diagnóstica)
  • Descrição da imagem (achados observados na radiografia) ou imagem anexada
  • Dispositivos presentes (TOT, SNG, CVC, dreno, PICC)

Como usar

  1. Sempre interprete o raio-X em contexto clínico, nunca isolado.
  2. Confirme qualidade técnica antes de laudar, não lamente inspiração ruim.
  3. Em pneumotórax hipertensivo, aja antes do raio-X.
  4. Repita após reposicionamento de tubo ou cateter.
  5. Peça TC quando raio-X for insuficiente (nódulo, TEP, dissecção, trauma).

Variações

  • UTI à beira do leito: AP supino, ICT superestimado, hilo e silhueta alterados, interpretar com cautela.
  • Pediatria: atenção ao timo, forma de coração, corpo estranho.
  • Pós-operatório torácico: cirurgia de pulmão com expectativa de derrame, enfisema subcutâneo, pneumomediastino.
  • Trauma: pneumotórax, hemotórax, alargamento de mediastino (dissecção), fratura de arco costal.