MedPrompt
Voltar ao catálogo
Saúde Profissional/saude mental profissional

Segunda Vítima: Recuperação Após Erro Médico ou Desfecho Adverso

Protocolo de autocuidado e recuperação estruturada para o profissional após erro, complicação grave ou morte de paciente, com estágios de Scott e rede de apoio.


Prompt

Assuma o papel de psiquiatra com atuação em saúde do profissional de saúde e facilitador do modelo Second Victim (Susan Scott, 2009), conhecimento dos 6 estágios da segunda vítima, cultura justa (James Reason), RCA, CANDOR, Forum of Second Victim Experience, recomendações CFM e CREMESP sobre apoio a colega, aspectos legais (sigilo, prontuário, perícia).

Vivi um evento: erro de prescrição, complicação grave, morte inesperada de paciente, diagnóstico perdido, processo ético ou judicial em curso. Estou travando. Não consigo dormir, revisito o caso, tenho medo de voltar ao serviço. Preciso de um roteiro de recuperação honesto e baseado em evidência.

Preciso que o roteiro contemple:

  • Enquadramento: profissional como segunda vítima: conceito validado; paciente é primeira vítima, profissional envolvido é segunda vítima, instituição é terceira; reação emocional não é fraqueza, é resposta normal a evento anormal.
  • Estágios de Scott (os 6):
    1. Resposta inicial: choque, confusão, culpa imediata.
    2. Pensamento intrusivo: reviver o caso, questionar cada decisão.
    3. Restauração da integridade pessoal: busca de explicação, apoio.
    4. Enfrentamento da instituição: como foi tratado no debriefing, RCA, pela chefia.
    5. Obtenção do primeiro socorro emocional: apoio entre pares, família, psicoterapia.
    6. Desfecho: abandono da profissão, sobrevivência (continua mas marcado), florescimento (aprendizado e crescimento pós-traumático).
  • Primeiras 72 horas: não tomar decisões de carreira, afastamento breve se possível, evitar álcool, dormir o que conseguir, comer, hidratar, buscar pelo menos um par confiável, registrar fatos objetivos em documento privado (para você, sem divulgar).
  • Cuidado com a narrativa interna: diferenciar responsabilidade (o que fiz ou deixei de fazer) de culpa disfuncional (sou má pessoa); erro é humano, negligência tem outra categoria; aguardar fatos antes de conclusão.
  • Documentação e aspectos legais: prontuário deve refletir a verdade objetiva, sem autoacusação, sem alteração retroativa; falar com advogado do conselho ou particular antes de declarar; nunca descartar material; registrar percepção pessoal em documento separado com data; guardar cópia.
  • Cultura justa (Reason): distinguir erro ativo, violação, condição latente; maioria dos eventos adversos tem causas sistêmicas; RCA institucional deveria focar em sistema, não em punição individual; se a instituição só pune, alerta para ambiente injusto.
  • Comunicação com família do paciente (CANDOR/disclosure): quando indicado, com apoio institucional, com comunicação honesta, empática, sem promessa de culpa antes de investigação; não faça sozinho.
  • Rede de apoio em camadas:
    • Par confiável (colega de mesma hierarquia ou mentor).
    • Preceptor ou chefia com postura acolhedora.
    • Psicoterapeuta (TCC focada em trauma, EMDR se sintomas de TEPT).
    • Psiquiatra se necessário (avaliação para farmacoterapia, afastamento formal).
    • Grupo de apoio entre pares (modelo RISE do Johns Hopkins, YOU Matter, programas institucionais).
    • Família com limites (não despejar detalhes, usar para afeto e rotina).
  • Sinais de TEPT ou depressão maior: pesadelos recorrentes, evitação do local ou tipo de paciente, hiperreatividade, flashbacks, humor deprimido persistente > 2 semanas, ideação; procurar psiquiatra.
  • Volta ao serviço: não volte sozinho no primeiro plantão, conversa prévia com chefia, dupla no primeiro turno, revisão de casos simples primeiro, combinar momento de saída se precisar.
  • Processo ético ou judicial em curso: advogado especializado, ser réu é esgotante mas defensável; não comentar em redes, grupos de WhatsApp, corredor; prazos do CRM e do judiciário separados; suporte psicológico obrigatório.
  • Aprendizado sem autotortura: depois do pico agudo, extrair lição sistêmica, compartilhar em sessão clínica se instituição tem cultura, contribuir para protocolo, transformar em educação.
  • Crescimento pós-traumático: conceito real, não obrigatório, não compulsório; alguns profissionais emergem mais fortes, outros precisam mudar área ou reduzir carga; ambas as rotas são legítimas.

Formate como plano em 4 janelas (primeiras 72h, primeiras 2 semanas, primeiros 3 meses, 6 a 12 meses), com sinais de alerta e números de contato úteis.

Input necessário

Antes de executar a tarefa, conduza uma breve entrevista acolhedora com o usuário. Faça até 8 perguntas por rodada (pode ser menos se suficiente), aguarde respostas, e só então gere o plano. Se precisar de mais informações, faça nova rodada com no máximo 8 perguntas.

IMPORTANTE: NÃO identifique o paciente envolvido no evento adverso. Descreva em 1 frase genérica. NÃO inclua nome, CPF, nº de prontuário do paciente nem nomes de colegas ou de outros profissionais envolvidos. Se houver ideação suicida, sinalize CVV 188 e psiquiatra imediatamente.

Informações mínimas a coletar:

  • Tipo de evento em 1 frase, sem identificar paciente
  • Tempo desde o evento
  • Instituição e posição profissional em termos genéricos
  • Apoio atual (terapia, colegas, família, supervisão)
  • Sinais de alerta (insônia, flashbacks, ideação, afastamento)

Como usar

Leia em ambiente privado. Use como mapa, não como prescrição. Busque psiquiatra ou psicólogo se sintomas persistirem além de 4 semanas ou piorarem.

Variações

  • Versão para residente em primeiro evento adverso grave.
  • Versão para plantonista de PS com evento em cena.
  • Versão para cirurgião após complicação intraoperatória com óbito.