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Saúde Profissional/interpretacao exames

Indicação de TC e Interpretação Clínica Básica

Quando pedir TC, preparo, leitura inicial de laudo e manejo de incidentaloma


Prompt

Atue como radiologista sênior com prática em emergência e atuação conjunta com clínica e cirurgia, familiaridade com protocolos ATLS, ACR Appropriateness Criteria e CBR.

Pedidos excessivos ou mal indicados de TC geram custo, radiação desnecessária e achados incidentais que viram problema. Pedidos atrasados adiam diagnóstico de AVC, TEP, dissecção e apendicite complicada. Preciso decidir quando, qual protocolo e como ler o laudo.

Preciso de orientação completa sobre indicação e leitura de TC contemplando:

  • Princípio ALARA: radiação tão baixa quanto razoavelmente possível. 1 TC de abdome = cerca de 500 radiografias de tórax. Gestante, criança e adolescente merecem escolha mais criteriosa.
  • Indicações clínicas principais:
    • Trauma grave: ATLS pan-scan em mecanismo de alta energia, hipotensão, ECG alterado, lesão acima e abaixo do diafragma.
    • Dor abdominal aguda: TC abdome com contraste em suspeita de diverticulite complicada, apendicite com sinais de complicação, obstrução, isquemia mesentérica, pancreatite com critérios de gravidade.
    • AVC isquêmico: TC crânio sem contraste para excluir hemorragia em todo paciente com déficit súbito antes de trombolítico. Janela 4,5h para alteplase/tenecteplase. Ampliar com angioTC e perfusão em suspeita de oclusão de grande vaso (até 24h com imagem compatível).
    • Hemorragia subaracnóidea: TC crânio sem contraste (sensibilidade >95% nas primeiras 6h), punção lombar se negativa com alta suspeita.
    • TEP: angio-TC de tórax em paciente com Wells >4 ou D-dímero alterado (>500 ou >idade x 10 acima de 50 anos).
    • Dor torácica aguda: angio-TC de aorta em suspeita de dissecção (dor lacerante, assimetria de pulso, alargamento de mediastino).
    • Nefrolitíase: TC de abdome sem contraste (padrão-ouro).
    • Oncologia: TC tórax-abdome-pelve para estadiamento e seguimento.
  • Preparo:
    • Creatinina prévia em pacientes de risco (DRC, diabetes, idoso, ICC, mieloma), considerar TFG >30 para contraste iodado (KDIGO).
    • Hidratação com SF 0,9% 1mL/kg/h 6 a 12h pré e pós em risco.
    • Alergia a contraste: pré-medicação com corticoide e anti-histamínico se reação prévia leve-moderada, evitar se anafilaxia prévia.
    • Metformina: suspender antes em pacientes com TFG <60 ou exame contrastado, reintroduzir 48h após se função preservada.
    • Gestante: ponderar risco x benefício, usar chumbo abdominal em TC de outra região, preferir USG ou RM quando possível.
  • Leitura básica de laudo:
    • Densidade em UH: água 0, ar -1000, gordura -100 a -50, partes moles 20 a 80, osso 500+, calcificação 100+. Sangue agudo 40 a 80 UH.
    • Padrões de realce: homogêneo, heterogêneo, anular (em alvo, sugere abscesso), nodular, periférico progressivo (hemangioma hepático).
    • Incidentaloma: achado fortuito sem relação com a queixa. Protocolo Fleischner para nódulo pulmonar, incidentaloma adrenal (<4cm com UH <10 provavelmente benigno), cisto renal Bosniak.
    • Hipodensidade: líquido, gordura, isquemia, edema. Contextualizar com sinais clínicos.
    • Realce: vascularização, inflamação, neoplasia. Ausência de realce em área esperada sugere isquemia ou necrose.
  • Protocolos mais comuns:
    • TC crânio sem contraste: AVC, TCE, HSA.
    • TC crânio com contraste: neoplasia, abscesso, vasculite.
    • AngioTC: TEP, dissecção de aorta, AVC grandes vasos.
    • TC tórax de alta resolução (HRCT): doença intersticial, bronquiectasia.
    • TC abdome trifásico: hepatocarcinoma, nódulo adrenal.
    • Uro-TC: litíase, hematúria, massa urológica.
  • Interpretação clínica básica de achados frequentes:
    • Consolidação com broncograma: pneumonia.
    • Derrame pleural loculado com realce: empiema.
    • Espessamento de parede com borramento de gordura mesentérica: diverticulite ou apendicite.
    • Isquemia mesentérica: pneumatose intestinal, gás portal, ausência de realce da alça.
    • AVC hiperagudo: hipodensidade sutil, apagamento de sulcos, sinal da artéria hiperdensa.
  • Comunicação com radiologista: pedido com hipótese clínica clara, resultado relevante para conduta, discutir incidentaloma antes de exames em cascata.

Formate como resposta estruturada: indicação do exame com justificativa, protocolo escolhido, preparo necessário, checklist pré-contraste, interpretação dos achados principais e conduta proposta.

Input necessário

Descreva o caso sem dados identificáveis. NÃO inclua nome, CPF, RG, nº de prontuário. Use apenas dados clínicos.

Informações mínimas:

  • Contexto clínico (queixa, tempo de evolução, sinais de gravidade, idade, sexo, comorbidades)
  • Exame físico e laboratório relevantes
  • Hipótese principal (diagnóstico suspeito)
  • Creatinina, TFG e alergias a contraste

Como usar

  1. Antes de pedir, pergunte o que muda na conduta com o resultado.
  2. Escolha o protocolo correto, pedido genérico gera laudo genérico.
  3. Confirme creatinina e alergia em todo exame contrastado.
  4. Leia o laudo inteiro, não só a conclusão.
  5. Comunique incidentaloma ao paciente com plano claro, evite cascata.

Variações

  • Pediatria: preferir USG ou RM, ajustar dose de radiação por peso.
  • Gestante: evitar, quando necessário proteger abdome, registrar consentimento.
  • Oncologia: seguir protocolo RECIST, comparar com exame prévio.
  • AVC em janela: priorizar tempo porta-imagem, protocolo stroke integrado.