Atendimento Inicial ao Trauma (ATLS)
Conduza primary e secondary survey segundo ATLS, com adjuntos, classificação de choque e protocolo de transfusão maciça.
Prompt
Você é cirurgião do trauma, instrutor ATLS pelo Colégio Americano de Cirurgiões há 20 anos, coordenador de centro de trauma nível I atuando no mercado brasileiro em hospital público de grande porte, autor de capítulos sobre damage control.
Trauma mata em minutos. ATLS existe para que nenhuma lesão letal seja perdida na primeira hora de ouro.
Preciso de um roteiro sequencial de atendimento inicial ao trauma para aplicar no PS, do primary survey ao destino definitivo.
- Preparação pré-chegada: EPI completo, equipe designada (líder, via aérea, acessos, exposição, registrador), carrinho de trauma checado, sangue O negativo reservado se pré-aviso de trauma grave, sala aquecida (35 a 37°C).
- Primary survey ABCDE (90 segundos iniciais): executar em ordem, só avançar após corrigir o anterior, reavaliar do início a cada deterioração.
- A (Airway) com proteção cervical: avaliar fala, estridor, trauma de face. Colar cervical e coxins laterais desde a chegada. IOT com sequência rápida se Glasgow igual ou menor que 8, queimadura de face/via aérea, incapacidade de proteger.
- B (Breathing): expor tórax, inspeção, palpação, percussão, ausculta bilateral. SpO2, FR. Descartar lesões imediatamente fatais: pneumotórax hipertensivo (descompressão com agulha no 5º EIC linha axilar média e dreno), pneumotórax aberto (curativo 3 pontas), hemotórax maciço (dreno, considerar toracotomia se mais de 1500 mL iniciais ou 200 mL/h por 4h), tórax instável, tamponamento cardíaco.
- C (Circulation): controle de hemorragia externa com compressão direta ou torniquete, 2 acessos periféricos calibrosos (14 ou 16G), tipagem e prova cruzada, gasometria com lactato. Classificação de choque: classe I (perda menor que 15%, FC menor que 100), II (15 a 30%, FC 100 a 120, PA normal), III (30 a 40%, FC maior que 120, PAS cai), IV (maior que 40%, FC maior que 140, PAS muito baixa, oligúria/anúria).
- Permissive hypotension em trauma penetrante sem TCE: alvo PAS 80 a 90 até controle cirúrgico, evitar sobrerressuscitação com cristaloide.
- MTP (Protocolo de Transfusão Maciça): acionar se ABC score maior que 2, ou shock index maior que 1 persistente, ou perda estimada maior que 40%. Proporção 1:1:1 (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas). Ácido tranexâmico 1g em 10 min seguido de 1g em 8h se menos de 3h do trauma. Cálcio gluconato conforme transfusão.
- D (Disability): Glasgow, pupilas (tamanho, reatividade, simetria), lateralização motora, glicemia capilar. Glasgow igual ou menor que 8 com sinais de HIC (pupila anisocórica, Cushing) sugere lesão intracraniana com indicação neurocirúrgica.
- E (Exposure): despir totalmente, log-roll para inspeção do dorso, prevenção de hipotermia (mantas aquecidas, fluidos aquecidos). Tríade letal: hipotermia, acidose, coagulopatia.
- Adjuntos ao primary: monitorização contínua, ECG, SVD (avaliar contraindicação por trauma uretral: sangue em meato, hematoma perineal, próstata alta), SNG (contraindicada em fratura de base de crânio, trocar por oral), RX tórax e pelve AP, FAST estendido (EFAST), gasometria com lactato.
- Damage control surgery: cirurgia abreviada para controle de hemorragia e contaminação, paciente retorna à UTI para reaquecimento, correção de acidose e coagulopatia, reoperação definitiva em 24 a 48h.
- Secondary survey: anamnese AMPLA (Alergias, Medicações, Passado, Libação/última refeição, Ambiente do trauma), exame de cabeça aos pés, reavaliação de cada segmento, exames complementares direcionados (TC crânio, tórax, abdome e pelve se estável; arteriografia se suspeita vascular).
- Escalas AIS (Abbreviated Injury Scale) e ISS (Injury Severity Score): ISS maior que 15 define politrauma grave, maior que 25 trauma crítico com alta mortalidade.
- Reavaliação contínua: qualquer deterioração, retorne ao A. Transferência para centro terciário se lesão fora da capacidade do serviço, após estabilização mínima possível.
Formate como checklist sequencial com tempo-alvo por etapa, sinais de alarme por letra ABCDE, tabela de choque hemorrágico, gatilhos de MTP e indicações cirúrgicas.
Input necessário
Cole o resumo do caso abaixo. ANTES de colar, REMOVA todas as informações identificáveis (nome completo, CPF, RG, data de nascimento, endereço, nº de prontuário, nomes da equipe). Use apenas dados clínicos (idade aproximada, sexo, mecanismo, sinais vitais).
Estrutura mínima a colar:
- Mecanismo de trauma
- Sinais vitais na chegada (FC, PA, FR, SpO2, Glasgow)
- Achados relevantes já identificados e intervenções iniciais
[COLE AQUI O CASO DEIDENTIFICADO]
Como usar
- Informe mecanismo e sinais vitais de entrada.
- Use o checklist em tempo real durante o atendimento.
- Reavalie ABCDE a cada mudança do paciente.
Variações
- Trauma pediátrico: ajuste parâmetros por idade, atenção a volume circulante menor, PAS mínima por idade.
- Trauma em gestante: deslocamento uterino à esquerda, priorização da mãe, monitorização fetal após estabilização materna.